É incrível como o dia da pessoa pode dar aquela reviravolta num simples passar de segundos. São coisas tão ínfimas capazes de tirar a pessoa do eixo. Mas é minutos após essa reviravolta que você tem que se posicionar. Ou se entrega, ou se recusa.
Na grande maioria esmagadora das vezes eu sou aquela que se recusa, e esse posicionamento me traz refrigério de certa forma, pois é na recusa de ficar com raiva de uma pessoa, que acabo perdoando-a. É na recusa de aceitar determinada circunstância que se levantou, que vou adquirindo força pra superar. É na recusa de me dar por satisfeita, que consigo ver a minha real capacidade.
Assumo que pra chegar aí não é apenas se posicionar e as coisas, do nada, acontecem. É uma batalha interior que, muitas vezes, me deixa exausta e com vontade de jogar tudo pra cima. Até porque, a curto prazo, todo mundo sabe que é mais confortável abrir mão de alguém, estacionar no tempo ou ter uma visão pequena de se próprio.
Porém eu sei que o que eu carrego aqui dentro de mim é maior, e também sei que o botão de emergência não vai estar envolto de um vidro com um martelinho ao lado pra, só em caso de precisão, ser acionado. Não. O botão está constantemente pressionado, às vezes mais, às vezes menos, mas sempre em alerta.
Esse botão, sem dúvida, é o que me impulsiona a recusar, mesmo minha mente gritando o contrário: "se entrega! Se entrega! Se entrega!".
É bem verdade que algumas vezes eu me entreguei, mas, sério, do fundo do meu coração, é um arrependimento tão grande que evito pensar, não por covardia, ou vergonha, mas por já ter me perdoado. E assim como eu sou com os outros, sou comigo mesma. Perdoando, não guardo mágoa, rancor, nem fico remoendo.
Mas sim, fechando o pensamento, o dia tem 24h, e não vai ser um cocôzinho de segundo que vai fazer com que eu perca meu dia, por isso, nesse exato momento (16h12min) estou me recusando e pressionando um pouco mais forte o botão de emergência!
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